Pilares da retomada automotiva estão mais firmes e consistentes.

2 out

Os pilares econômicos que tem servido de apoio para a retomada das vendas de veículos ganharam, no ultimo bimestre, mais firmeza e melhor capacidade de manter o setor automotivo relativamente à margem dos duros efeitos da crise politica que amarga a vida do País.

No final setembro, números da Pnad Contínua computados pelo IBGE indicaram que o trimestre encerrado em agosto marcou o quinto período consecutivo de queda no número de desempregados no País.

Desde o pico, registrado no trimestre encerrado em abril, quando 14,2 milhões de pessoas estavam desempregadas, a redução acumulada já somou 7,7%. Em termos concretos isto significou que 1,1 milhão de pessoas saíram desta nefasta estatística neste período.

Foi um fecho condizente para um mês no qual o Banco Central já havia elevado de 0,5% para 0,7% sua projeção oficial para este ano de crescimento do PIB e reafirmado que a inflação ficará abaixo da meta, o que representa garantia de Selic e juros com tendência declinante.

Projeções, todas elas, devidamente ratificadas no Relatório Focus distribuído no inicio desta semana pelo mesmo Banco Central com a média das opiniões das principais instituições financeiras do País.

É evidente que não são nada agradáveis e nem suaves os efeitos da manutenção, ainda, de um contingente de 13,1 milhões de desempregados, quase um milhão a mais do que os 12,2 milhões que eram registrados pela Pnad um ano antes, no trimestre encerrado em agosto.

Todavia, esta atual inversão da curva de tendência é particularmente importante para um setor como o automotivo, cujas vendas são calcadas em financiamentos e, assim, estão umbilicalmente ligadas a maior ou menor dose de confiança dos consumidores em relação a manutenção futura da renda.

Afinal, conforme lembrou Luiz Montenegro, presidente da Anef, na entrevista que concedeu para a edição Perspectivas da revista AutoData cuja versão digital estará disponível nesta semana, a falta de segurança em relação ao futuro compromete os dois lados: os consumidores relutam em tomar empréstimos e os bancos, de seu lado, tendem a ser extremamente seletivos na concessão dos créditos.

Na prática, quando a tendência é de crescimento das demissões, os consumidores são tentados a fazer aquilo que alguns economistas chamam de poupança prudencial. Ou seja, passam a adiar a compra de tudo aquilo que puder ser adiado como forma de evitar o endividamento e aliviar o orçamento,

Este tipo de postura afeta particularmente o setor automotivo já que, em geral, quem compra um carro zero quilometro no mais das vezes já é proprietário de um usado que seria oferecido como entrada e que pode muito bem continuar sendo utilizado pela família por mais alguns meses. Ou até anos.

Vale ressaltar que, conforme constatou a pesquisa da Pnad Contínua, cerca de 70% dos novos postos de trabalhos que estão sendo ocupados referem-se, ainda, ao trabalho informal, seja por conta própria, seja pela inexistência do vinculo com carteira assinada. Nada de novo ou anormal. É o que geralmente acontece nos períodos que se seguem a fase econômicas marcadas por dificuldades,

Mas vale destacar também que, num país ainda não desenvolvido, como é o caso do Brasil, cada pessoa a mais com ocupação, seja formal ou informal, representa aumento por vezes significativo na renda familiar e, por decorrência, na capacidade de consumo do grupo como um todo. É um a mais para dividir os gastos, sejam os básicos ou os de conforto.

De qualquer forma, de acordo com dados que haviam sido divulgados poucos dias antes pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, agosto, também marcou o quinto mês consecutivo em que as contratações no mercado formal superaram as demissões.

No acumulado dos oito primeiros desde ano foram criados 163,4 mil empregos com carteira assinadas, frente a 651,2 mil vagas que haviam sido fechadas no mesmo período do ano passado. É uma diferença e tanto.

Em agosto, além disso, a retomada se deu de forma espraiada. Foi registrada nos mais variados setores da economia. O resultado positivo foi puxado pelo setor de serviços e seguido pela indústria, comércio, construção civil e administração publica.

E mais: pela primeira vez no ano, todas as cinco regiões do País empregaram mais do que demitiram. E das 27 unidades da Federação, 19 anotaram saldo positivo.

Trata-se, sem duvida, de oportuno e promissor pano de fundo para os diversos lançamentos de novos modelos que acabam de ser feito ou anunciados pela Renault, Ford, FCA, Volkswagen, Toyota, Nissan, PSA e Honda.

Lançamentos, todos ele, realizados com o objetivo específico de quebrar a resistência dos consumidores e de quebra, tentar conquistar o coração, a mente, a preferência e, sobretudo, os bolsos de ao menos parte dos consumidores que vem garantindo a General Motors e Hyundai neste ano o topo da lista de vendas do setor.

O butim vale a pena. Afinal, conforme pesquisa realizada pela General Motors a cuja síntese AutoData teve acesso também durante a preparação da mesma edição Perspectivas, dos cerca de 2 milhões de consumidores que optaram por adiar suas compras nestes últimos anos, a meta de 70% deles se manter no mercado de carros zero quilometro. E desses, 20% ainda neste ano!

 

 

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