Reflexos devastadores

18 ago

A junção de três anos seguidos de acentuada queda nas vendas domésticas com a simultânea chegada de novos players teve reflexos devastadores na vida da maior parte das montadoras de veículos.

Nos sete primeiros meses deste ano, as vendas de automóveis e veículos comercias leves somaram 1 milhão 125 mil unidades. Isto representou queda de nada menos que 45,5% em relação as 2 milhões e 31 mil unidades comercializadas no mesmo período de 2013, o ultimo ano antes do início da fase de queda.

Na área de caminhões, o quadro é ainda mais grave. Neste caso, os 30,1 mil veículos comercializados de janeiro a julho deste ano representaram queda de 66,2% em relação as 89,1 mil comercializadas nos sete primeiros meses de 2013.

Trata-se, em síntese, de um setor que em três anos foi literalmente reduzido pela metade em decorrência crise que desde 2014 vem continuamente ceifando as vendas de veículos.

Os reflexos são diretos e nada agradáveis na vida de todos os elos da cadeira de produção e de comercialização do setor. Trabalhadores obviamente incluídos, tal como ficou evidenciado pelas milhares de demissões cogitadas e/ou anunciadas nas ultimas semanas em São Bernardo do Campo, SP, pela Volkswagen e Mercedes Benz.

No segmento especifico dos automóveis e comerciais leves, como esta redução de vendas se deu ao mesmo tempo em que vários novos players estavam chegando ou, no mínimo, diversificando e ampliando sua atuação no País, os reflexos sobre a vida das quatro montadoras mais antigas e com maior participação de mercado foram particularmente significativos.

Fiat e Volkswagen, as duas empresas que ainda não haviam iniciado a renovação de sua oferta em 2014, ano no qual a curva de tendência embicou para baixo, foram as empresas mais afetadas.

Considerados estes mesmos períodos, as vendas das duas empresas caíram idênticos 61,4%. Ou seja: nos sete primeiros meses deste ano estas montadoras venderam bem menos que a metade do que haviam comercializado no mesmo período de 2013.

Em números absolutos, de janeiro a julho deste ano as vendas acumuladas da Fiat somaram 172,4 mil automóveis e comerciais leves. Isto representou queda de 274,6 mil unidades em relação aos 447,1 mil que haviam sido comercializadas no mesmo período de 2013.

Na Volkswagen, as vendas no sete primeiros deste ano somaram 148,4 mil unidades. Neste caso, a queda foi de 236,5 mil veículos em relação aos 384,8 mil vendidos em 2013.

Nos dois casos, portanto, o volume que deixou de ser vendido foi maior do que aquele que foi efetivamente comercializado. 60% maior.

As outras duas montadoras que compõe este grupo – General Motors e Ford – renovaram praticamente toda sua linha de produtos em oferta ao longo deste três anos. Mesmo assim, com o impacto de tantos novos entrantes, suas vendas caíram praticamente pela metade: 49% e 48,1% respectivamente, cerca de cinco pontos porcentuais acima da media setorial de queda neste segmento.

Em números absolutos, a General Motors vendeu 187,1 mil automóveis e comercias leves nos sete primeiros meses deste ano, 180 mil a menos do que as 367,1 mil comercializadas de janeiro a julho de 2013.

Na Ford, as vendas de janeiro a julho deste ano somaram 97,3 mil unidades, 90,3 mil a menos que as 187,7 mil que haviam sido comercializadas no mesmo período de 2013.

As demais montadoras apresentaram queda abaixo da média deste segmento neste período, com destaque para as japonesas Toyota e Honda e para a coreano Hyundai, todas como mesmo de 10% de redução, enquanto a francesa Renault anotou queda de 33,4% entre os sete primeiros meses de 2103 e o mesmo período deste ano.

Com performances tão diversificadas, a General Motors superou a Volkswagen e a Fiat e assumiu a liderança do setor, ao mesmo tempo em que a Hyundai e a Toyota ultrapassaram a Ford que, além de ter perdido seu tradicional lugar entre as quatro maiores, passou a ter a Renault e a Honda nos seus calcanhares.

Na área especifica dos caminhões, o cenário é diferente. Embora também tenham registrado queda superior a 60%, as três primeiras do ranking em 2013, MBB, VW/Man e Ford, conseguiram ao menos ficar ligeiramente abaixo dos 66,2% que representaram a queda media de mercado este segmento.

Na comparação do volume comercializado no mercado domésticos nos sete primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2013, estas três empresas registraram quedas de respectivamente 62,4%, 62,3% e 61,4%.

Com isso, agravaram ainda mais a situação das outras três tradicionais, Volvo, Scania e Iveco, que, além de tudo, acabaram arcando neste período com todo o ônus representado pelos novos entrantes e, com isso, registraram, todas, queda nas vendas domésticas acima de 70%: respectivamente 70,8%, 78,4% e 75,2%.

Os números absolutos evidenciam melhor toda a dramaticidade do quadro. De janeiro a junho deste ano foram vendidos 30,1 mil caminhões, 59 mil a menos do que os 89,1 mil que haviam sido comercializados no mesmo período de 2013.

Por empresa, considerados os mesmos períodos, na MBB as vendas caíram 14,7 mil unidades, de 23,6 mil para 8,8 mil, na VW/Man 14 mil, de 22,4 mil para 8,4 mil, e na Ford 7,2 mil, de 11,8 mil para 4,5 mil.

Entre as demais montadoras, na Volvo as vendas caíram 8,2 mil unidades, de 11,5 mil para 3,3 mil, na Scania 9,1 mil, 11,6 mil para 2,5 mil, e na Iveco 4,9 mil, de 6,5 mil para 1,6 mil.

Ao confirmar que estes números e estes cálculos, todos feitos a partir dos boletins mensais da Fenabrave e da Anfavea, estão, infelizmente, corretos, executivo do setor não se conteve: “Estamos, todos, absolutamente pasmos”, definiu. Com toda a razão.

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